Aprendendo com João Calvino a entregar o coração a Deus

domingo, 31 de julho de 2016

COMENTÁRIO DE JOÃO CALVINO SOBRE JOÃO 3.16


13. “Ninguém subiu ao céu”. Ele novamente exorta Nicodemos a não confiar em si mesmo e em sua própria sagacidade, porque nenhum homem mortal pode, somente por seus próprios poderes, entrar no Céu, mas só quem vai lá sob a direção do Filho de Deus.
Porque “ascender ao Céu” significa aqui “ter um puro conhecimento dos mistérios de Deus, e a luz da compreensão espiritual." Porque Cristo dá aqui a mesma instrução que é dada por Paulo, quando ele declara que o homem natural não entende as coisas que são de Deus (1 Coríntios 02:16;) e, portanto, exclui todas as coisas divinas da perspicácia da compreensão humana, pois ela está muito abaixo de Deus.
Mas temos de atentar às palavras, que apenas Cristo, que é celestial, ascendeu aos Céu e que a entrada está fechada para todos os outros. Pois, na primeira cláusula, Ele nos humilha, quando exclui todo o mundo do Céu. Paulo ordena que aqueles que desejam ser sábios com Deus sejam tolos para eles mesmos (1 Coríntios 3:18)
Não há nada que possamos fazer com mais relutância. Para esse propósito, nós devemos lembrar que todos os nossos sentidos falham e se extraviam quando nos aproximamos de Deus; mas, depois de ter fechado o Céu para nós, Cristo rapidamente propõe um remédio, quando Ele adiciona, que o que foi negado a todos os outros é concedido ao Filho de Deus.
E esta é também a razão pela qual Ele chama a si mesmo de o Filho do homem, para que nós não pudéssemos duvidar de que temos uma entrada para o Céu em comum com aquele que se vestiu com a nossa carne, para que possa nos fazer participantes de todas as bênçãos. Sendo que, portanto, somente Ele é o Conselheiro do Pai (Isaías 9:6), admite-nos dentro daqueles segredos que de outra forma teriam permanecido encobertos.
“Que está nos céus”. Pode-se pensar que é absurdo dizer que Ele está no céu, enquanto Ele ainda habita na terra. Se em resposta for dito que isso é verdade no que diz respeito à sua natureza divina, o modo de expressão significa algo a mais, ou seja, que enquanto Ele era homem, Ele estava no Céu. Pode-se dizer que nenhuma menção é feita aqui sobre qualquer lugar, mas que Cristo somente é distinto dos outros no que diz respeito à sua condição, porque Ele é o herdeiro do reino de Deus, do qual toda a raça humana foi banida.
Mas, como acontece com muita frequência, por conta da unidade da pessoa de Cristo, aquilo que pertence propriamente a uma natureza é aplicada a outra, nós não devemos buscar outra solução. Cristo, portanto, que está no Céu, se vestiu com a nossa carne, que, por esticar a mão fraterna para nós, possa nos elevar ao Céu junto com Ele.

14. “E como Moisés levantou a serpente”. Cristo explica mais claramente porque disse que somente para Ele o céu está aberto, ou seja, que Ele leva ao Céu todos os que estão apenas dispostos a segui-lo como seu guia; pois Ele atesta que será abertamente e publicamente manifestado a todos, para que possam propagar o Seu poder sobre homens de todas as classes. 
Porque ser levantado significa ser colocado em uma situação alta e elevada, de forma a ser exposto à vista de todos. Isso foi feito pela pregação do Evangelho; visto que a explicação que alguns dão, como referindo-se a cruz, não concorda com o contexto, nem é aplicável ao assunto tratado.
O simples sentido das palavras, portanto, é que, pela pregação do Evangelho, Cristo era para ser exaltado, como um estandarte para o qual os olhos de todos seriam dirigidos, como Isaías havia predito (Isaías 2:2. ). Como um tipo dessa exaltação, Ele faz referência a serpente de bronze, que foi erguida por Moisés, cuja visão era um remédio salutar para aqueles que tinham sido feridos pela mordida mortal das serpentes. A história do ocorrido é bem conhecida, e está detalhada em Números 21:9. 
Cristo a introduz nesta passagem, a fim de mostrar que Ele deve ser colocado diante dos olhos de todos, através da doutrina do Evangelho, para que todo aquele que olhar para Ele pela fé possa obter a salvação. Por isso, deve-se inferir que Cristo é claramente exibido a nós no Evangelho, a fim de que nenhum homem possa se queixar de obscuridade; e que esta manifestação é comum a todos, e que a fé tem o seu próprio olhar, pelo qual o percebe como presente, como Paulo nos diz que um vívido retrato de Cristo com Sua cruz é exibida, quando Ele é fielmente pregado (Gálatas 3:01).
A metáfora não é inadequada ou rebuscada. Assim como [a serpente de bronze] tinha somente a aparência exterior de uma serpente, mas não continha nada dentro que fosse pestilento ou venenoso, Cristo se vestiu com a forma da carne pecaminosa, a qual ainda era pura e livre de todo pecado, para que Ele pudesse curar em nós a ferida mortal do pecado. 
Não foi em vão que o Senhor preparou anteriormente este tipo de antídoto, quando os judeus foram feridos pelas serpentes, e ele tende a confirmar o discurso que Cristo entregou. Pois quando viu que era desprezado como uma pessoa média e desconhecida, Ele não poderia produzir nada mais apropriado do que o levantamento da serpente, para dizer que eles não deveriam achar estranho, se, ao contrário da expectativa dos homens , ele fosse levantado ao alto da mais baixa condição, pois isso já tinha estado em sombras na Lei pelo tipo da serpente.
A questão que agora se coloca é: Será que Cristo se comparou com a serpente, porque havia alguma semelhança, ou, Ele pronunciou isto por ter sido um sacramento, como foi o maná? Porque o maná foi o alimento do corpo, na intenção do presente uso, mas Paulo atesta que ele era um mistério espiritual (1 Coríntios 10:3.) Sou levado a pensar que este também foi o caso com a serpente de bronze, tanto por esta passagem, e pelo fato de ser preservada para o futuro, até que a superstição do povo o converteu em um ídolo, (2 Reis 18:04). Se alguém formar uma opinião diferente, eu não debato esse ponto com ele.

16. “Porque Deus amou o mundo”. Cristo abre a primeira causa e, por assim dizer, a fonte da nossa salvação, e faz isso de forma que nenhuma dúvida possa permanecer; pois nossa mente não pode encontrar repouso tranqüilo, até que cheguemos ao amor não merecido de Deus. Como toda questão sobre nossa salvação não deve ser buscada em qualquer outro lugar a não ser em Cristo, então devemos ver de onde Cristo veio até nós, e por que Ele foi oferecido para ser nosso Salvador.
Ambos os pontos são distintamente declarados para nós: a saber, que a fé em Cristo traz vida para todos, e que Cristo trouxe vida, porque o Pai Celestial ama a raça humana, e deseja que eles não venham a perecer. E esta ordem deve ser cuidadosamente observada, pois tal é a ímpia ambição, que pertence à nossa natureza, que, quando a questão diz respeito à origem da nossa salvação, nós rapidamente formamos diabólicas imaginações sobre nossos próprios méritos. Assim, imaginamos que Deus é reconciliado conosco porque Ele tem reconhecido em nós algo que seja digno para que Ele olhe para nós. Mas as Escrituras em todos os lugares exalta sua misericórdia pura e sem mistura, o que anula todos os méritos.
E as palavras de Cristo significam nada mais, quando declara a causa para estar no amor de Deus. Pois, se queremos subir mais alto, o Espírito fecha a porta pela boca de Paulo, quando nos informa que este amor foi fundado no propósito de Sua vontade, (Efésios 1:05). E, de fato, é muito evidente que Cristo falou desta forma a fim de afastar os homens da contemplação de si mesmos para olhar somente para a misericórdia de Deus.
Nem diz que Deus foi movido a nos livrar, porque percebeu em nós algo que fosse digno de uma bênção tão excelente, mas atribui a glória de nosso livramento inteiramente ao Seu amor. E isso é ainda mais claro no que se segue, pois, acrescenta que Deus deu o seu Filho aos homens, para que eles não pereçam. Daí resulta que, até que Cristo conceda a sua ajuda para resgatar os perdidos, todos estão destinados à destruição eterna. Isso também é demonstrado por Paulo a partir de uma consideração do tempo; porque Ele nos amou quando ainda éramos inimigos pelo pecado (Romanos 5:8, 10).
E, de fato, onde reina o pecado, vamos encontrar nada, a não ser a ira de Deus, que arrasta a morte junto com ela. É a misericórdia, portanto, que nos reconcilia com Deus, para que Ele possa também nos devolver à vida.
Essa forma de expressão, no entanto, pode parecer estar em desacordo com muitas passagens das Escrituras, as quais colocam Cristo como o primeiro fundamento do amor de Deus para nós e demonstram que fora Dele somos odiados por Deus. Mas devemos lembrar – como eu já afirmei - que o amor secreto com o qual o Pai Celestial nos ama em si mesmo é superior a todas as outras causas, mas que a graça que Ele deseja que seja conhecida por nós, e pela qual nós somos estimulados para a esperança da salvação, começa com a reconciliação, a qual foi adquirida através de Cristo.
Porque, uma vez que Ele necessariamente odeia o pecado, como vamos acreditar que somos amados por Ele, até que a expiação fosse feita pelos pecados em virtude dos quais Ele, justamente, está ofendido conosco? Assim, o amor de Cristo deve intervir com a finalidade de reconciliar Deus conosco, antes de termos qualquer experiência de sua bondade paternal. Mas, como nós fomos primeiramente informados de que Deus, porque nos amou, deu o seu Filho para morrer por nós, assim isso é imediatamente adicionado, que Cristo é quem, estritamente falando, a fé deve olhar.
“Ele deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça”. Isso, diz ele, é o próprio olhar da fé, para ser fixado sobre Cristo, em quem vê o coração de Deus cheio de amor: este é um apoio firme e duradouro, para invocar a morte de Cristo como a única garantia desse amor. A palavra unigênito é enfático para magnificar o fervor do amor de Deus em relação a nós. Como os homens não são facilmente convencidos de que Deus os ama, a fim de eliminar qualquer dúvida, Ele declarou expressamente que somos muito queridos por Deus que, por nossa causa, Ele nem mesmo poupou seu Filho unigênito.
Uma vez que, portanto, Deus tem mais abundantemente testificado o seu amor para conosco, quem não está satisfeito com este testemunho, e ainda permanece na dúvida, oferece um grande insulto a Cristo, como se Ele tivesse sido um homem comum entregado aleatoriamente à morte. Mas devemos, ao contrário, considerar que, em proporção à estimativa que Deus tem a seu Filho unigênito, tão mais preciosa nossa salvação parecia para Ele, porque para o resgate dos tais Ele escolheu que seu Filho unigênito morresse. Sobre esse nome, Cristo tem o direito, porque Ele é, por natureza, o Filho unigênito de Deus, e comunica essa honra a nós por adoção, quando somos enxertados em Seu corpo.
“Para que todo aquele que nele crê não pereça”. É um elogio notável de fé, que nos livra da destruição eterna. Porque Ele pretendia expressamente declarar que, apesar de nós parecermos ter sido nascidos para a morte, sem dúvida a libertação nos é oferecida pela fé em Cristo; e, portanto, e não devemos temer a morte, que de outra forma paira sobre nós.
E ele empregou o termo universal, “todo aquele que” tanto para convidar todos indiscriminadamente a participar da vida, e para cortar fora todas as desculpas dos incrédulos. Tal é também o sentido do termo “Mundo”, que Ele usou anteriormente, porque nada será encontrado em todo o mundo que seja digno da graça de Deus, mas ainda assim Ele se mostra reconciliado com o mundo inteiro, quando ele convida todos os homens sem exceção a fé em Cristo, que nada mais é do que uma entrada para a vida.
Vamos nos lembrar, por outro lado, que enquanto a vida é prometida universalmente a todos os que crêem em Cristo, ainda a fé não é comum a todos. Porque Cristo é feito conhecido e estendido à vista de todos, mas apenas os eleitos são aqueles cujos olhos Deus abre, para que possam buscá-lo pela fé. Aqui, também, é exibido um efeito maravilhoso da fé, porque nós recebemos Cristo tal como Ele nos é dado pelo Pai - isto é, como tendo nos libertado da condenação da morte eterna, e feito de nós herdeiros da vida eterna, porque, pelo sacrifício de Sua morte, ele expiou por nossos pecados, para que nada pudesse impedir Deus de nos reconhecer como Seus filhos. Uma vez que, portanto, a fé abraça a Cristo, com a eficácia de sua morte e com os frutos de sua ressurreição, não precisamos nos espantar se por ela obtemos igualmente a vida de Cristo.
Entretanto ainda não é muito evidente porque e como a fé concede sobre nós. Isso é porque Cristo nos renova pelo seu Espírito, para que a justiça de Deus possa viver e ser vigorosa em nós, ou isso é porque, tendo sido purificados pelo seu sangue, somos considerados justos diante de Deus por um perdão gratuito? Na verdade, é certo que essas duas coisas estão sempre juntas, mas como a certeza da salvação é o tema agora em mãos, devemos manter principalmente esta razão: que nós vivemos, porque Deus nos ama livremente, não imputando a nós nossos pecados.
Por esta razão, o sacrifício é expressamente mencionado, pelo qual, juntamente com os pecados, a maldição e a morte são destruídos. Eu já expliquei o objetivo dessas duas cláusulas, que é, nos informar que, em Cristo, recuperamos a posse da vida, da qual somos destituídos em nós mesmos, pois nesta condição miserável da humanidade, a redenção, na ordem do tempo, acontece antes da salvação.

17. “Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo”. Essa é uma confirmação da declaração anterior, porque não foi em vão que Deus enviou seu próprio Filho para nós. Ele não veio para destruir e, portanto, segue-se, que é o peculiar oficio do Filho de Deus, que todos que crêem possam obter a salvação por Ele. Agora não há razão para que qualquer homem esteja em um estado de hesitação, ou de ansiedade angustiante sobre a maneira pela qual ele possa escapar da morte, quando nós cremos que era o propósito de Deus que Cristo nos livrasse dela. A palavra “mundo” é repetida mais uma vez, para que nenhum homem possa se pensar totalmente excluído, se ele somente guardar o caminho da fé.
A palavra juiz é colocada aqui para condenar, como em muitas outras passagens. Quando Ele declara que ele não veio para condenar o mundo, Ele assim ressalta o real desígnio da sua vinda, pois que necessidade havia de Cristo vir para nos destruir, se já estávamos completamente arruinados? Não devemos, portanto, olhar para qualquer outra coisa em Cristo, a não ser que Deus de sua bondade infinita escolheu estender sua ajuda para salvar a nós, que estávamos perdidos, e sempre que nossos pecados nos pressionarem - quando Satanás quer nos conduzir ao desespero - devemos erguer este escudo, porque Deus não está disposto a que sejamos esmagados com a destruição eterna, porque Ele designou seu Filho para ser a salvação do mundo.
Quando Cristo diz, em outras passagens, que Ele veio para juízo, (João 9:39;) quando é chamado de pedra de escândalo, (1 Pedro 2:07;) quando é dito ser destinado para a destruição de muitos (Lucas 2:34:) esta pode ser considerada como acidental, ou como decorrente de uma causa diferente; porque aqueles que rejeitam a graça oferecida Nele merecem encontrá-lo como o juiz e vingador de desprezo tão indigno e vil. Um exemplo marcante disto pode ser visto no Evangelho, porque apesar dele ser estritamente o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), a ingratidão de muito faz com que ele se torne morte para eles .. Ambas as coisas foram bem expressas por Paulo, quando ele se orgulha de ter em mãos a vingança, por que ele punirá todos os adversários de sua doutrina, depois que a obediência do santo tiver sido cumprida, (2 Coríntios 10:6)
O sentido resulta nisso: que o Evangelho é especialmente, e em primeiro lugar, designado para os crentes, para que ele possa ser salvação para eles; mas depois para que os incrédulos não escapem impunes ao desprezarem a graça de Cristo e terem preferido Ele mais como o autor da morte do que da vida.

18. “Quem Nele crê não é condenado”. Quando ele tão frequentemente e tão seriamente repete, que todos os crentes estão além do perigo da morte, nós podemos deduzir da grande necessidade de uma firme e segura confiança, que a consciência não pode ser mantida permanentemente em um estado de tremor e de alarme. Ele novamente declara que, quando nós cremos, não há condenação remanescente, que Ele mais tarde explicará com mais detalhes no quinto capítulo. O tempo presente - não é condenado - é aqui usado em vez do tempo futuro - não será condenado - de acordo com o costume da língua hebraica; porque Ele queria dizer que os crentes estão seguros do temor da condenação.
“Mas quem não crê já está condenado”. Isto significa que não há outro remédio pelo qual qualquer ser humano pode escapar da morte, ou, em outras palavras, que para todos os que rejeitam a vida dada a eles em Cristo, não resta nada a não ser a morte, pois a vida consiste em nada mais do que na fé. O tempo passado do verbo “já está condenado” foi usado por ele enfaticamente, para expressar mais fortemente que todos os incrédulos estão completamente arruinados.
Mas deve ser observado que Cristo fala em especial daqueles cuja maldade será exibido desprezar abertamente o Evangelho. Pois, embora seja verdade que nunca houve qualquer outro meio para escapar da morte, além de recorrer a Cristo, mas como Cristo fala aqui da pregação do Evangelho, que era para ser espalhado por todo o mundo, ele dirige o seu discurso contra aqueles que deliberadamente e maliciosamente extinguem a luz que Deus acendeu.

Fonte: http://www.biblestudyguide.org/comment/calvin/comm_vol34/htm/ix.iii.htm
Tradutor: Emerson Campos Pinheiro.

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Disponível em: http://mortoporamor.blogspot.com.br/2010/09/joao-calvino-1509-1564-comentario-sobre_08.html.
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Lucas Guimarães. Tecnologia do Blogger.

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Pastor presbiteriano, teólogo, professor e historiador. Mestre em Ciências da Religião (UPM/SP), e autor dos livros: O coração a Deus (síntese da espiritualidade de João Calvino), e Desenterrando os tesouros de Deus (os princípios da verdadeira oração em João Calvino) e Ser cristão: a carta de Tiago e o resgate da identidade cristã.

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